História de infância da Dany
O resgate de memórias afetivas ( cozinha da vovó)
Minha infância, ficava dentro da cozinha observando minha avó Flora prepara os alimentos para o café da manhã, o almoço e o jantar. E sempre perguntando quando eu poderá utilizar a faca e os utensílios para ajudá-las na função. Lembro-me de que, aos 13 anos, minha mãe liberou a faca para eu cortar a galinha abatida, criada no quintal para alimentar a família. Até hoje guardo as sensações de alegria e liberdade daquele dia. Aprendi muito ‘’ olhando’’ o que mainha fazia.
Aprendi com o afeto dos olhos e o sentido da observação. Tudo o que minha avó ensinava era explicado passo a passo, e muitas vezes, os pratos eram carregados de histórias. Lembro-me do dia de batata com carne. Nesse dia, ela relembrou que, quando eram crianças, minha bisavó fez minha tia comer uma panela cheia de batata com carne, pois ele havia reclamado da pouca quantidade de comida colocada em seu prato. Eles moravam na roça, e a comida era reduzida, devido ao pouco orçamento da família, logo, tudo era regrado.
Então a cozinha é, pra mim, e era para minha avó e assim para minha mãe, um lugar especial, já que reunia suas memórias de infância e as receitas que aprendeu com sua mãe, minha bisavó. A saudade de sua mãe sempre vinha ao fazer cocada puxa no dia das mães. O espaço da cozinha era é sentido como fonte de conhecimento e como transmissor de heranças das experiências de vida narradas ao calor do fogão. A memória afetiva de minha avó ao contar historia durante o preparo dos alimentos e suas invenções dentro da cozinha.




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